Doce vingança

domingo, 26 de setembro de 2010.

Grande Mãe, sábia criadora,
Faça-me fria e desalmada
Para que na aurora vindoura
Sinta-se minha alma vingada

Lave com o sangue de meus inimigos
As cicatrizes que, em mim, fizeram
Caiam podres em seus jazigos
Aqueles que, meu perecer, quiseram

Sejam testemunhas meus pulsos
Minha carne chora comovida
Sejam testemunhas meus soluços
Minha garganta gane dolorida

Gozem a terra seca
E os ossos decompostos
Goze escondido quem peca
E aqueles, pelo mal, dispostos

Ria por último,
O riso que quiser ver
O brilho sanguinolento íntimo
No olho do inimigo, quer fazer

Das veias do inferno,
É nascido meu interior
Foi meu ódio eterno,
Fundido no seio da dor

Não ousem orar por mim
Aqueles que me deram as costas
Inútil é comemorar meu fim
Enquanto o diabo fecha suas cotas

Inútil é a ilusão
Não é paraíso, estrelas, nem céu
Inútil é a sensação
De tornar minha dor seu troféu

Para todo o corpo há lugar no espaço
E para toda a alma vendida,
Na mão do diabo, em seu maço
Há um lugar para ser redimida

Ria de mim e de sua neurose
Enquanto tiver lábios para rir
E não forem tragados pela necrose
Deixo-o pensar que estou a sucumbir

De quem será mais forte o riso
É o que veremos quando os olhos se fecharem
Em frente ao seu túmulo, verá meu sorriso
Enquanto vejo suas entranhas degenerarem

Guarde minhas feridas
Para que guardem minhas lembranças
Seja toda a injúria, contra mim, proferida
Amanhã, meu doce hino de vingança.

1 Comentário:

Vergel de bits disse...

Mágico...

Postar um comentário

 
† Poemas Góticos † © Copyright 2010 | Template By Mundo Blogger |